A pelagem mais escura em contraste com o tom mais claro na face é a principal diferença do mico-leão-da-cara-dourada do parente natural do Rio de Janeiro. Foto: Rodrigo Araújo
Manaus, AM - Dois filhotes vistos nas costas de adultos no início de março são o sinal mais marcante do sucesso de uma iniciativa inédita no Brasil: mudar de endereço uma população inteira de bichos que nasceram e cresceram longe do seu habitat natural.
Desde junho do ano passado, Micos-leões-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas) encontrados nos municípios de Niterói, São Gonçalo e Maricá, no estado do Rio de Janeiro, estão sendo capturados e são levados a centenas de quilômetros ao Norte, para viver em uma área protegida em Belmonte, no sul da Bahia.
“O primeiro grupo já está se reproduzindo e isso é muito bom, significa que eles estão bem”, afirma a bióloga Maria Cecília Kierulff, responsável pelo programa liderado pelo Instituto Pri-matas. “Eles estão vivendo em uma mata protegida, preservada e grande. Provavelmente ali já teve o mico-leão, porque é dentro da área de distribuição dele”, completa.
O mico-leão-da-cara-dourada é uma espécie classificada como “Em Perigo”, tanto pela IUCN quanto pelo Ministério do Meio Ambiente. Ele é natural do extremo nordeste de Minas Gerais e Bahia. Desde que foi introduzido no Rio de Janeiro, a população da espécie vem crescendo a ponto de se tornar uma ameaça ao parente o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), que vive em áreas vizinhas na Mata Atlântica do Rio de Janeiro e também é classificado como “Em Perigo” de extinção.
As duas espécies são muito parecidas, com porte e ecologia semelhantes. Mas é visível a diferença na cor da pelagem. Enquanto um tem a cor dourada em todo o corpo, daí o nome popular da espécie, o outro é mais escuro, com uma mancha mais clara na face. E é justamente por se parecerem tanto que a presença dos dois no mesmo habitat é arriscada.
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